quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SISTEMA DE PESOS E MEDIDAS DE ANTIGAMENTE

Pelos poucos conhecimentos que eu tenho estes costumes de pesar e medir dessa nossa região vem do século 18, quando para medição de terra se usava a braça, que era 10 palmos, e este media 22 centímetros. Como era difícil trena media-se em uma vara a altura de um homem médio com o braço bem esticado.

Uma légua corresponde a 6 quilômetros, e este, a mil metros.

Os legumes mediam-se em Cuia, e esta correspondia a 10 litros. Uma quarta comporta 8 cuias. Um alqueire equivale a 4 quartas .Uma quarta de arroz pesa 65 quilos e uma quarta de milho pesa 80 quilos. Uma quarta de fava pesa 80 quilos. Uma arroba de algodão aqui no Crato era 20 quilos, sendo que uma arroba de qualquer outro produto é 15 quilos. Uma canada de cachaça correspondia a 5 litros.

A lenha era vendida em costar.

Outras medidas: a groza é 12 dúzias; metade de uma carga de animal se chamava costar. Tecido era medido por vara.

ALGUNS NOMES DE MOEDAS: Pataca, , dobrão, , cruzado, vintém.

Uma tarefa mede 625 quadrin, e um quadrin mede uma braça quadrada. Um equitáre mede três tarefas e um quarto.

Uma carga de rapadura era 100 rapaduras de quilo. Uma quarta de arroz pila dá 40quilos.

Havia outros tipos de vara para a medição de fumo, podendo dividir por quarta de vara

A dimensão de uma cuia era 25 centímetros quadrado por 17,5, a de espessura da madeira era um centímetro.

O litro tinha 10 centímetro por 10 , com espessura de um1 centímetro.

Uma carga normal de um burro era 2 quartas de arroz, de algodão era 6 arrobas.

Para longa distância 100 quilos.

Para corte de fumo utilizava-se um ferro chamado cutelo. Uma mala de couro de boi cabia 6 cuia de arroz.

A peça utilizada para fazer colher de pau chamava-se légua.

Para fazer uma carga de rapadura leva 7 cargas de cana.

Para fazer uma rede de dormir leva 12 quartas de fio fiado em casa.

Estes são alguns instrumentos de peso e medida de que me recordo

Saudosa Ponta da Serra

No final dos anos 40 e 50, do século passado, tinha, aproximadamente, umas 30 famílias , todas com o mesmo padrão de vida, ou seja, pobres.

Os utensílios domésticos eram quase nada: uma dúzia de pratos, outra de colheres, um caritó, uma mala para as roupas, um caixote para por os pratos. Redes para dormida, e poucas camas. Um pilão , um moinho, várias cabaças e cuias, e os potes de barro não podiam faltar. As arupembas , o balaio e a esteira.

Os animais domésticos eram uma cabra e uma porca. Um paiol de milhos, o arroz era mais difícil, um ferro de passar à brasa.

Os mais folgados tinham cavalo, o menos jumento. A água para o consumo era carrega na cabeça ou em ancoretas, em animais, pois era distante.

A missa era mensal, e para os moradores era um momento de rever os amigos.

Havia uma sapataria, mas de uma fábrica de cigarros, casas de jogos de azar, um bilhar, umas três bodegas de cachaça, e um bom tocador de harmônica, e outro de violão e banjo, Havia serenatas

O Café Central, de Maria e Violeta, outro que servia caldo, que era o de Mãe Véia, o Café de Sulidade. Sempre tinha os humoristas que botavam apelidos nas pessoas, como Chico Penca, Cago, Bamba, Frandão, Pagueira, Nó grosso, Montanha.

À noitinha, as famílias ficavam nas calçadas, trocando idéias, ouvindo as novidades jornalísticas trazidas por Zé de Ciço, lido ou ouvido no rádio de Vicente Brito ou José Amâncio, lá na Palmeirinha dos Brito, ouvida pela rádio Sociedade da Bahia.

Os movimentos políticos, como na última eleição de Getúlio Vargas, e depois seu suicídio, que abalou todo o Brasil. As dificuldades para ir ao Crato, pois, só tinha um caminhão, o da feira, mesmo assim, no inverno era uma aventura. Já com a chegada do jipe, facilitou mais para os noivados ir até o Crato. Antes essa viagem era feita a cavalo.

O balneário era o açude de Seu Belo, que não faltava gente para o banho e as lavadeiras.

Nos anos 60 chega o rádio e radiola a pilha de Edival Ribeiro para animar as Tertúlias.

Era uma juventude bem mais sadia.

Estas são algumas das minhas lembranças.

Edval Cirilo

Recordação de um família amiga

Ao chegar B no sítio Palmeirinha em 1949, vindo do sítio Lagoa Rasa, com 9 anos de idade, tudo era muito estanho, mas aos poucos fomos nos acostumando e criando algumas amizades, e entre elas com a família Gonçalo. O chefe dessa família se chamava José Gonçalo, de uma tradicional família das bandas da Miragem, pessoas que se destacavam no cenário importante para aquela época, como o “tio Chiquim”, grande pecuarista com fazendas nos Inhamunhs, Major Simplício, com sua patente bem merecida, pelos seus prestígios naquela região.

E aqui na Palmeirinha José Gonçalo se destacava como pecuarista ou boiadeiro, tendo um bom padrão de vida para a época. Família grande , casa cheia, boas amizades. E o meu pai chegou até a apadrinhar o seu filho Gesualdo, e nós sempre éramos convidados para a renovação que era uma grande festa, onde reunia os seus familiares da Miragem, com dezenas de Cavalos do rabo vermelho, como era conhecido, pela cor do terreno, que se destacavam entre os outros animais.

Os seus filhos eram muitos, entre eles, os meus colegas de escola, como o Expedito, Edilson, Antonio, Marieta, Raimunda, Vilanir, que era a mais encapetada, de quem eu ganhei um belo apelido que era de “ Doca do Zoião”. Marieta também era muito sapeca, cheia de astúcia. Já Antonio era diferente, o seu passa tempo era conversar sozinho.

Nos fins de semana, era o banho no açude, com várias competições de nado em distância ou mergulho..

Era uma família zoadenta, mas muito passiva. Como era bom irmos para a escola juntos!, e não havia malícia e nem maldades. E não posso esquecer o personagem Joaquim da Lata, que sempre aparecia, em especial, nos dias que antecipavam nos dias em que antecipava a renovação.

E para mi despedir quero deixar registrado a importância desta família no desenvolvimento social daquele sítio Palmeirinha.

Que Deus o tenha em um bom lugar: José Gonçalo, Dona Lourdinha, Raimunda, e Edilson, que onde estiverem antecedam pelos que ficaram.

EDIVAL CIRILO

sábado, 10 de setembro de 2011

OS PRIMEIROS ENGENHOS DO CARIRI - Por: Edval Cirilo


Contam os mais velhos que os primeiros engenhos nesta região eram feitos de pau. Já com a chegada do trem a Crato e Salgueiro, facilitou mais o transporte dos engenhos de ferro e passou a ser puxado a boi com a produção de até 600 rapaduras por dia.

Já nos anos 40 do século XX, foi criada uma metalúrgica em Missão Velha, da família Linard. Criaram todo este processo de fabricação que facilitou o grande ágio de cana-de-açúcar na região, onde por varias décadas foi um grande pólo de desenvolvimento e tornou-se uma das regiões mais ricas do Ceará.

Lembro-me ainda do grande sacrifício para locomover uma grande caldeira até o sitio Cana Brava, lá no Município de Quixará, para a Fazenda de Antonio Pita. O meio de transporte era chamado carretão. Era uma prancha de ferro e o tamanho era de acordo com o objeto a ser transportado, com mais ou menos 50 centimetros de altura, puxado por duas juntas de boi, ou seja, quatro bois. O trem trouxe até Juazeiro e o percurso até seu destino foi feito em três dias. Era assim que se transportava todos os objetos pesados, utilizando juntas de bois. O carro de bois era mais utilizado para retirar madeira das matas, e eram só dois bois encangados a uma corrente e muita habilidade.

Alguns desses procedimentos presenciei, e outros foram historias que me contaram.

Sei que estes relatos não contribuem quase nada na historia oficial, mas é uma maneira de espantar o mal de Alzheimer que tanto aflige os idosos.

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OS FESTEJOS DO NOSSO PADRROEIRO SÃO JOSÉ


Há muitos anos a nossa Igreja Católica vem tentando mudar o conceito dos seus fieis, procurando acabar com bebida alcoólica em todas as manifestações religiosas.

Aqui na Ponta da Serra o nosso ex- vigário travou uma luta constante para eliminar esta parte social por achar que estava estimulando as pessoas a este vício que está destruindo os nossos jovens, tentando criar mecanismos para suprir este dinheiro que era adquirido de forma ilícita.

Acabou com os bingos por serem contravenção. Os objetos que eram doados ele apurava em forma de sorteio. Não queria leilão por achar que descriminava os mais humildes, pois eles não tinham acessos, e às vezes, no fim da festa, lá pela madrugada, os mais favorecidos embriagavam os mais humildes, que serviam de palhaço para eles se divertirem.

Lutou intensamente, pelo dízimo para que todo mundo se conscientizasse deste método eficaz que iria ser a solução definitiva e a Igreja não mais se preocupasse, e fosse cuidar dos fiéis.

E já Paróquia já tinha uma boa arrecadação capaz de eliminar todas as taxas, como batizados, Batismos, Casamentos, intenções de missas. E um dos os carros da Paróquia servia até de ambulância para os mais necessitados, havia doações de remédio e exames, mas esta parte era em sigilo, por causa dos aproveitadores.T ambém foi investido em mutirões de casamentos irregulares, preparando para assumir uma nova vida em Cristo.

E a preparação de jovens das comunidades foram centenas para assumirem os trabalhos litúrgicos nas suas localidades.

Não era padre de investir nas coisas supérfluas, comprova só o necessário, pois, a sua meta era a formação. Arranjou dezenas de verbas na Alemanha e investiu nas capelas , havia uma grande preocupação com a pessoa idosa, aonde não se cansava de dar toda a assistência espiritual. É pena que a nossa Paróquia memória curta, num instante esquece os tempos bons.


- LOCAIS MAL ASSOMBRADOS - Por Edval Cirilo


Desde criança que meus pais procuraram não despertar coisas negativas que viessem perturbar as nossas mentes.

Mas convivendo na comunidade aprendemos a conhecer mitos negativos que deixam a gente amedrontado, como casas mal assombradas, “tiradô de figo”, lobisomem, Vicente Fino, Vento Quente nas Encruzilhadas, o Pé de Juá da Botija, as Cruzes do Pagão, as Cruzes do Caminho do Jaburú, Rasga Mortalha em Noite de Velório, Uma Sentinela Cantada, o Pai da Mata, Saci Pererê, Caipora, o Vento da Meia-noite e a Besta-Fera. Havia também as superstições como, um gato preto, passar por baixo de escada, levantar com o pé direito, chinelo emborcado, …

Tudo isto nunca passou de lenda para confundir as pessoas mais inexperientes, por isso vou dar um exemplo: depois da Vila Malhada existe um cemitério abandonado e em noite de finados ainda é de costume botarem velas lá. Foi ai que o senhor Massaroca esqueceu a sua obrigação e às 09 horas da noite foi cumprir com seu dever. Ao acender as velas subiu em um cajueiro torto e foi aguardar que as velas se consumissem, foi quando de repente, apareceu um jovem e ao chegar em frente tentou acender um cigarro na vela. O Sr. Massaroca que ali aguardava que as velas se consumissem disse: - “eu vou contigo”. Para o jovem foi tamanho o espanto que disparou em uma carreira que o Sr. Massaroca tentou acompanha-lo mas foi em vão. Quase um quilômetro a frente encontra-o abrindo o bico na casa de um conhecido, contando toda aquela aventura.

Tudo isso são mitos criados para confundir as pessoas chegando as vezes a ser doentio, ao invés de criar coisas construtivas para o bem estar do ser humano.


FESTA DE D. QUINTINO 1948 - Por Edval Cirilo


Nesta época de criança morava na Lagoa Rasa, como pertencia àquele distrito, tínhamos obrigação de participar de pelo menos uma noite da festa. Este percurso era feito a pé, era uns 6 quilômetros, e tinha os pontos de referência neste percurso. Primeiro a casa de João Leandro, depois a casa grande de Eufrásia, a de D. Idália, morada de Chico Jacinto, a Bodega de Zeca Bilio, casa de Nestor, Corredor da Bréa, casa de Vicente Cutia, morada de Valentim, o Corredor de Telvira, as ruínas da uzina de algodão de Raimundo Chico, o casarão de João Luís e a última casa, de Cícero Luís.

A festa tinha de tudo, carrosséis, canoas, jogos de azar de todas as espécies, motel ao ar livre, 3 salões de dança, dezenas de barracas missangas, fotografia tirada na rua a pronta entrega.

As bebidas eram todas quentes (não tinha geladeira) Cachaça, Zenebra, Cinzano, Vinho Jurubeba e Quinado Gerim. Carrinho de suco com gelo ralado que vinha do Crato em caixote conservado a pó de madeira. A tardinha tinha um automóvel de aluguel para passear, o percurso era de meio quilometro e custava quinhentos réis e as pessoas esperavam na fila.

Os comércios que mais se destacavam eram o de Juvêncio gerenciado por José Raquel, a loja de Joaquim de Fana, a mercearia de Mundinho Leonel e outras. Os leilões eram muito animados, mas sempre foi separado. O joio era mais que o trigo, quem era do joio nem dava notícia dos festejos religiosos, mas no final dava tudo certo.

Já era tudo iluminado com um gerador, as luzes eram muito fracas e era completado com luz de carbureto.

Mas é assim, a nossa vida é uma ilusão. Vivemos pensando em um futuro mais promissor e com este pensamento é que estou no fim da minha caminhada, obrigado Senhor por esta minha vida

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