domingo, 20 de junho de 2010

CONSTRUÇÃO DA CAPELA DE SÃO JUDAS TADEU NO SÍTIO BOQUEIRÃO

Contaram-me os últimos remanescentes da Fazenda João Leandro que a nora dele, de nome Astrês , natural de Pernambuco, professora de alto nível muito devota de São Judas Tadeu, que passou por muitas provações e sempre foi vencedora . Ouve muitas coincidências na sua vida. Apesar de não saber a origem do seu nome, Astrês, mas se sabe que ela teve cinco filhos em duas gestações: uma de três e outra de dois.

Lecionou em vários colégios do Crato, até no Seminário São José.

Teve uma infância muita agitada, sendo preciso até se afastar de sua terra natal.

Deu assistência social aos moradores de seu sogro, prestando vários serviços.

No fim dos anos 60 do século passado resolveu construir uma capela e,em frente, uma praça e lotear uma área de terra, para assentar as 30 famílias, ainda existentes na fazenda. E pela ironia do destino não chegou a terminar a construção, deixando

aos cuidados deste grande santo da sua devoção, São Judas, que nos anos 70 foi dada por terminada. Não chegou nem a legalizar o terreno, mas mesmo assim é bem assistida por dezenas de devoto, que não se cansam de venerá-lo.

É bem visível a saudade dos seus contemporâneos, como Acilon Santana, que era maquinista e químico dos maquinários da fazenda, sua esposa Vilanir, Auzenir e a caçula, sua afilhada, Francinete, vulgo Nete.

Eu que era visinho do lado leste, ainda presenciei vários acontecimentos desse grande complexo industrial e fazenda que funcionou nos anos 40 e 50.

E a senhora tenha a certeza que a sua semente foi jogada em terra fértil, só o tempo vai dizer, pois, o tempo passa, mas as boas intenções não passarão.

Edval Cirilo

segunda-feira, 22 de março de 2010

220310 - PEQUENA CRÕNICA

No dia 25 de dezembro de 1983 toma posse o décimo segundo vigário da Ponta da Serra, o padre João Bosco Cartaxo Esmeraldo. Um homem com 42 anos, que resolveu renunciar a um dos cargos mais importantes, que era o vigário da Catedral, para assumir uma paróquia rural, que quase não tinha sido tocada pelo evangelho.

Logo o Espírito Santo percebeu sua vocação para levar o evangelho a todos os confins da Paróquia, usando o seu carisma de simplicidade, que tocou os corações de todas as pessoas sem distinção de classe ou cor. Um homem preocupado com o bem estar espiritual e também social para que todos tenham vida e vida digna.

Visitou quase todos os lares dos paroquianos e fez refeição nas casas dos mais humildes, ouvindo todas as pessoas, sem nenhuma distinção. Criou vários grupos de apostolados, corais e grupos comunitários.

Teve a inspiração para criar o Santo Dízimo, que deu mais oportunidade para formar centenas de jovens para expandir os ensinamentos do Evangelho, em todas as comunidades e edificou mais de 27 novas capelas, dando autonomia para que elas administrassem seus próprios recursos, dando mais prazer trabalhar para seus padroeiros.

Por tudo isso e muito mais receba, Monsenhor Bosco, o carinho e os parabéns de todo o povo de Ponta da Serra, o Senhor que foi pai, padre, pastor e irmão deste povo.

Obrigado, obrigado mesmo, por estes 26 anos dedicados a esta comunidade tão incompreensiva, que não soubemos aproveitar mais o belíssimo ensinamento que o Senhor nos deu, portanto, pedimos perdão por alguma ingratidão da nossa parte.

Em nome de toda comunidade, um abraço forte e os nossos parabéns mais uma vez, que Deus lhe recompense.

EDVAL CIRILO

220310 - O CLIMA DO NORDESTE

Os nossos antepassados já nos contavam que desde 1825 já se registrava período de seca quando a Floresta do Cariri ainda era virgem .

Isto é um fenômeno característico do Nordeste, que por mais que a Ciência queira encontrar saída não é possível a não ser o que os governantes estão fazendo nos últimos anos, investindo em recursos hídricos, como barragens , açudes, o Canal de Transposição das Águas do Rio São Francisco.

Investir em perímetros irrigados, pois é o que já está acontecendo em várias partes do Ceará. Espero que não demore a atingir o vale dos Carás, mesmo em pequena escala para não ver tanta água sendo desperdiçada.

Sou um pequeno proprietário deste vale e vejo as minhas terras ociosas, pois, não sei lidar com irrigação. Pois não adianta usar a água sem estes conhecimentos. Pois só sabemos lidar com cultura dos invernos.

Espero que os meus netos usufruam destes novos métodos que não precisem de profeta para iniciar o plantio. E sabemos que o clima não vai mudar e nem vai faltar água, pois, se não chove neste ano chove no outro.

E neste pequeno relato quero mostrar as oscilações que aconteceram em alguns anos de invernos normais.

ANO MILÍMETROS

1962 864

1990 1.119

2004 1.490

2005 770

2006 945

2007 665

2008 1.735

2009 1.313

Por isso não há motivo para desanimar, pois, sabemos que temos que conviver com isso até o fim dos tempos. Mesmo assim, obrigado por ter nascido no Cariri, onde não temos furacões nem tornados e nem teremos por enquanto.

Obrigado Deus por eu viver aqui

Edval Cirilo

quinta-feira, 11 de março de 2010

110310 - MEMÓRIAS ESQUECIDAS

Como se percebe o Brasil tem memória curta, qualquer um acontecimento mesmo importante não demora a ser esquecido.

É o caso da nossa região, quantas pessoas nos deram exemplo de solidariedade, cada um a seu modo, como; Tintino e Totonha, filho e mãe, que cuidaram de dezenas de doentes na fase terminal, naquela época. Muitas crianças se entupiam comendo jenipapo e outra comida, daí era chamado Josefa Paes para assumir esta patologia e outras com sua experiência repassadas por seus ancestrais.

João Cirilo e Antonio Mateus alimentando os famintos nos anos de seca. As duas Beatas, Rosa e Mundinha Xenofonte que prepararam centenas de crianças na catequese para uma vida mais espiritual.

Mons. Assis Feitosa, que evangelizou milhares de pessoas para o caminho da santidade.

Moisés Xenofonte, que encabeçou a construção da capela de São José.

Filomena Belisário, que escreveu e leu cartas e renovação por mais de 20 anos para todas as pessoas humildes, pois, só ela sabia ler.

Raimundo Biliu que gritou leilão dezenas de anos com sua maneira humorística que tanto agradava.

José de Chiquinha, que era sapateiro e aplicava injeção para todo mundo.

José de Terto e sua harmônica, animando os leilões e festas.

As parteiras, que faziam o papel de obstetra como Ôtinha, Totonha, Lica de Namorado, Dona Santina, Maria Mateus lá no Quati, e outras.

No cenário político, dois vereadores se destacaram: Edval Ribeiro e José Valdevino, que não mediram esforços para servir este distrito, fazendo até o impossível.

No cenário político nacional podemos citar dois imortais: Getúlio Vargas e Juscelino, e

outros personagens diversos: podemos citar o homem do século, João Paulo II, que dissolveu o comunismo, que escravizou milhares de pessoas no mundo; Madre Tereza; Irmã Dulce; Dom Elder Câmara; Madre Esmeraldo, no Crato; Zilda Arns da Pastoral da Criança e Frei Damião, que por onde passava carregava multidões.

A todos esses personagens, que deram sua contribuição social de solidariedade muito obrigado e recebam as orações deste pequeno servo de Deus.

EDVAL CIRILO.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

FORMAÇÃO DOS FILHOS NA FAMÍLIA

Desde o início da civilização que os pais procuram dar o que há de melhor para os filhos, tanto na parte social como na formação pessoal. Para isto acontecer contou com a Igreja Católica que não mediu esforço para preparar os casais, orientando com os ensinamentos dos Evangelhos direcionando na preservação da fidelidade aos dois, ensinando a viver em comunidade , partilhando os bons exemplos, obedecendo o princípios básicos para uma boa formação.

A partir do ano de 1970 chega a era moderna.,aonde as famílias perdem autoridade com os filhos. Daí foi criado leis que dá direito ao adolescente ter vontade própria e criar as suas decisões à sua maneira sem que os pais possam interferir, criando uma liberalidade sem limite, chegando até a abolir o casamento e gerando milhares de crianças que ficam quase na orfandade sem nem uma perspectiva de vida. Essas crianças , na maioria dos casos, são criadas pelos avós ou se amontoam nas creches na esperança de um dia serem adotadas.

Na minha casa não foi diferente, houve separação de um filho deixando, uma belíssima neta que não se cansa de dizer que neste episódio a vítima foi ela.

Eu imagino como vai ser o futuro desta geração! Será que os governantes não deviam criar leis que amenizassem esta situação? Já que aboliram os ensinamentos religiosos que nos deram sustentabilidade até pouco tempo. Por que não criar matéria específica nas escolas , educando os jovens para uma vida mais responsável para consigo mesmos!

Esta é uma preocupação de um idoso que está sendo vítima desta situação e não queria que ninguém vivesse esta experiência pois, e muito doloroso.

EDVAL CIRILO

sábado, 13 de fevereiro de 2010

130210 - PRECIPITAÇÃO METEOROLÓGICA

Como todos sabem o nordeste teve clima irregular desde seu princípio. Nos últimos 50 anos o homem tentou interferir criando métodos científicos para amenizar os problemas das secas, mas foi tudo em vão. Foi quando um tio meu inteligente resolveu a monitorar os invernos desde o ano de 1928 até 1962, observando e escrevendo alguns dados, mesmo sem a medição pluviométrica.

Ø 1927, o Rio Carás quase secou, não correu;

Ø 1930, irregular, a primeira chuva foi a 3 de março;

Ø 1931, foi bom;

Ø 1932, seca total;

Ø 1935, um inverno comprido de chuvas maneiras, mas todos os dias;

Ø 1936 , fraco, muitas nuvens e poucas chuvas;

Ø 1939, perca de 2/4 da safra;

Ø 1942, seco. Deu a primeira chuva a 10 de maio;

Ø 1946, a enchente maio que deu no Rio Carás a 19 de março;

Ø 1947, o maior aguaceiro,de 1932 para cá;

Ø 1953, seco, só deu algodão;

Ø 1961, choveu 687 milímetros, foi muito produtivo;

Ø 1962, de janeiro a dezembro 35 chuvas que deu 864 milímetros;

Ø 1990, choveu 1.119 milímetros

NOTA: todos estes escritos e mais outros, como o preço dos cereais e diárias de serviços e mais precipitações que não foi possível escrever, está no diário de João Cirilo e Raimundo Cirilo como também toda árvore genealógica da família. E para obter mais informações conto com dois informantes e primos; Vicente Correia da Silva e Beliza Correia do sítio Boqueirão.

Sem mais a falar, subscrevo Edval Cirilo

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

LEMBRANÇAS DA PONTA DA SERRA NO INÍCIO DOS ANOS 50

Já era um lugar acolhedor,mesmo com 40 moradias,sendo 8 casas de tijolos e 6 só a frente, as outras eram de taipa, piso batido a maio. Poucas bodegas, a de Raimundo Ribeiro,a de Antonio pires, a loja de José Joca, a fábrica de cigarro de Vicente Lima, a fábrica de queijo de Joaquim Valdevino, 2 casas de jogos de baralhos e uma escola pública até o 3º ano. Uma missa mensal celebrada em latim,2 cafés, o de Violeta e o de Mãe Velha, este era afrodisíaco o seu caldo. Um açougue de boi e outro de criação, uma casa de bilhar, uma feira de panela de barro e rosário de catolé nos dias de missa.
Três comemorações de festas religiosas, com muitos jogos caipira, rifa, bozor,baralhos iluminados com lamparina e lampião de carboreto. Estas datas eram Natal, ano novo e Santos Reis.
A devoção a São José era muito grande, principalmente nos seus festejos à 19 de março, toda comunidade se mobilizava com muita devoção.
Meio de transporte só tinha, um caminhão no dia da feira, às vezes algum que vinha de Farias Brito ou o de Pedro Paulo da fazenda Borís.
Nos anos de 1951 surge o jipe, foi quando Gessir de João Leandro e Joaquim Brasil, compraram financiado pela agricultura à preço de 26 contos de réis. Estes jipes vinham em contêiner até Campina Grande onde eram montados. Logo depois Sr. Juvêncio e Pedro Luís de D. Quintino compraram um GMC e um Ford facilitando mais as viagens até Crato.
Era de costume todas as famílias se sentarem nas calçadas à noite contando histórias e contemplando as belezas dos céus, a lua cheia às vezes cantando belas valsas, acompanhado por José de Terto, com sua harmônica e nas noites de escuro contemplando o Cruzeiro do Sul, com o seu carreirão de estrelas e as histórias de trancoso. Não havia fogão à gás, tudo era à lenha da terra de Sr. Belo e a água também, mas como era tão bom, porque se tinha temor à Deus.
Edval Cirilo